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Hipermercados ou lojas de bairro?

03/06/2012

Veja na íntegra

GAZETA DO POVO (PR) • ECONOMIA • 2/6/2012

Hipermercados ou lojas de bairro?
Levantamento aponta que o preço é mais baixo nas grandes redes, mas pequenos mercados não ficam tão atrás

Grandes redes de supermercados ou mercados de bairro, qual é a melhor opção para fazer compras? A resposta vai depender do que o consumidor procura. Se ele quer comodidade e proximidade, opta pelos menores. Já se prefere variedade e diversidade de produtos, escolhe os maiores. Agora, se o consumidor quer preço baixo, a resposta é: tanto faz. Os maiores estabelecimentos com frequência têm os menores preços, mas os pequenos não ficam muito atrás.
A reportagem levantou o preço de vinte produtos em oito estabelecimentos, quatro grandes e quatro de bairro, utilizando dados do Disque-Economia, serviço da Prefeitura de Curitiba para a pesquisa de produtos em supermercados da capital, além de sondagem própria. Cadeia
Fornecedores cobram mais de redes menores
Os mercados de bairro hoje apresentam preços mais baixos do que os exercidos no passado, porque conseguiram ganhar escala na compra dos produtos. Para o coordenador do núcleo de varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ricardo Pastore, houve uma transformação na gestão dos pequenos negócios, que devem continuar se aperfeiçoando para fazer frente às grandes redes. “Houve uma profissionalização e ela precisa continuar. Os pequenos estabelecimentos têm como vantagens a proximidade dos clientes e o vínculo emocional que gera com eles”, diz. Pastore lembra que, como os pequenos negócios são comandados pelos próprios donos, a equipe é estável. “O dono administra de perto, mas encontra ainda resistência dos fornecedores. Eles oferecem os melhores preços para as grandes redes e acabam compensando cobrando mais dos pequenos. Os fornecedores deveriam valorizar os mercados menores, até para diminuir a pressão das grandes redes”, salienta.Comparação
Preços de mercados de bairros, em geral, ficam na média
A pesquisa que resultou no infográfico ao lado foi feita utilizando levantamento do Disque-Economia, serviço da Prefeitura de Curitiba para a pesquisa de produtos em supermercados da capital, realizado no dia 28 de maio, mesclado com dados apurados pela reportagem. O levantamento mostra que a variação de preços dos produtos pesquisados fica entre 11% (no caso do leite condensado Nestlé, que custa R$ 2,69 no Kusma Capão Raso e R$ 2,99 no Zamprogna Fazendinha) e 133% (creme dental Colgate, R$ 1,70 no Wal-Mart Jardim das Américas e no Mercadorama Alto da XV, e R$ 3,97 no Dip Centro Cívico). O coordenador do Disque-Economia, Henry Lira, lembra que a diferença é indicativo da importância de pesquisar. “É fundamental que o consumidor faça sua lista de compras e procure os itens mais baratos”, ressalta.Sua opinião
Você prefere fazer suas compras em grandes redes ou em mercados de bairro? Quais as vantagens e desvantagens de cada um deles?
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VÍDEO: Veja o que pensam os consumidores e mais recomendações do coordenador do Disque-Economia, Henry Lira

O levantamento aponta que na lista dos 20 preços mais baixos na comparação entre mercados, 15 estão nas grandes redes. Entretanto, na lista dos 20 itens mais caros, eles ficam praticamente empatados: nove grandes têm os preços mais altos na comparação de produtos, enquanto os mercados de bairro têm 11 (veja mais no infográfico). Ou seja, nesta amostra, os grandes supermercados têm os preços mais baixos, mas isso não implicou que os mercados menores tenham os mais altos.
Apesar dessa análise, os consumidores ainda veem os mercados de bairro como um refúgio de emergência e preferem as grandes redes. A Gazeta do Povo realizou uma enquete em seu site para pedir a opinião dos leitores e o resultado é que 61% deles preferem os hipermercados.
É o caso da auxiliar administrativa Daiany Ribeiro, que diz ir pouco a mercados de bairro. “Nos grandes encontramos mais variedade e é neles que faço a compra toda. Eu só recorro aos pequenos em casos de emergência, para comprar itens mais básicos”, afirma. Já a pedagoga Ana Cristina Costin fica balançada na hora da escolha. “Gosto do hipermercado por causa da diversidade dos produtos e para comprar itens como arroz, farinha e leite. Nas mercearias e pequenos mercados, o preço de frios e carnes, por exemplo, é mais barato e por isso vou toda a semana”, ressalta.
Para evitar dúvidas, segundo o coordenador do Disque-Economia, Henry Lira, é necessário que os consumidores conheçam as próprias necessidades, para economizar e ter parâmetros para optar entre pequenos e grandes mercados. “Cada família tem seu hábito de consumo e precisa saber o que mais pesa no bolso. Tem produtos que é mais fácil de flexibilizar, como produtos de limpeza, por exemplo, que podem ser comprados onde estiver mais barato. O que vale é a pessoa definir se prefere a comodidade ou o desconto, mas para isso é fundamental que ela pesquise e compare”, explica Lira.
Para a coordenadora do Laboratório de Orçamento Familiar da UFPR, Ana Paula Mussi Cherobim, a associação dos pequenos mercados a compras de emergência faz sentido, já que, na opinião dela, no fim das contas, a compra de apenas um item pode resultar em carrinho cheio quando o consumidor vai a grandes supermercados. “Não vale à pena atravessar a cidade atrás de uma oferta apenas para economizar. Às vezes você economiza em um item, mas acaba gastando muito mais nos produtos que estão em exposição”, pondera.


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